Acordei feliz. Difícil não ficar feliz quando se está. Às vezes faço força pra não ser, mas hoje não deu não. Pois acordei com cama, teto e bananas maduras pra uma vitamina gelada e um pão dormido na chapa. Acordei com fotos e mensagem de uma amiga querida, dizendo que tinha chegado e tava tudo bem, lá do outro lado do mundo. Acordei depois de uma festa boa, com boa música e boa companhia. Antes ainda, fui a uma Gira e tomei um passe, algo que eu nem sabia que faria quando acordei ontem. Acordei, gente, vejam bem, com Paulinho da Viola me falando qual é a “Solução da Vida” em forma de molejo dialético. Puta que pariu. De quebra, ele coloca em palavras cantadas uma coisa que me bola há dias, disso que não há diferença entre “razão e emoção”, pois é tudo farinha do mesmo saco quando se trata de buscar felicidade. Tipo, não tem muito jeito porque o jeito é esse mesmo. Sem jeito. Acordei com esse grande mestre, dizendo o que mestres budistas me dizem todos os dias, mas torço a cara quando ouço: “a vida, Samyra, não tem solução”. Daí que hoje fiquei feliz assim. Sem solução. Amanhã não estarei feliz, provavelmente. Mas hoje estou. Ou melhor, agora. Porque daqui a uma hora já estarei putaça. Mas é muito difícil não ficar feliz quando se dorme bem, né? Daí que teve isso também. Dormi bem. Desejo um bom dia a todos. Mesmo. Se um dia não for possível, pelo menos umas horas. Ou minutos. E pão na chapa e cama limpa. E mensagem de gente querida. E dança e música. E Paulinho da Viola. Ouçam dialeticamente. Pois não tem jeito, não, gente.

*Escrito na manhã de 27 janeiro de 2018.

Posted in

Deixe um comentário