Universum, por Camille Flammarion
Universum, por Camille Flammarion

Fim de ano. Fez sua consulta anual costumeira com o astrólogo. Sua revolução solar indicava uma abertura para o amor e um romance poderoso, fulcral. Após dois anos recuperando-se da separação, de tentativas frustradas aqui e ali, a boa nova astral soou muito bem aos seus ouvidos.

Foi certeiro. No período previsto, a pessoa brotou. Nada de amor à primeira vista. Até porque, já conhecia essa pessoa. Sabe-se lá por quê, a aproximação adequada, que poderia perfeitamente ter acontecido antes, só aconteceu agora. Naquele momento. Era destino.

A coisa toda se deu aos poucos. Divertida. Leve. Tinham coisas em comum na medida certa. Se desencontravam agradavelmente. Sentiu-se bem, como se estivesse enfim encontrado terra firme depois de nadar muito tempo à deriva. 

Moraram juntos. Adotaram um gato, um cachorro e, depois de um tempo, duas lindas crianças. A vida seguia, altos e baixos, como de qualquer casal. Seguia. Todos juntos.

Fim de ano. Fez sua consulta costumeira com a astróloga. Sua revolução solar indicava uma tendência a um compromisso duradouro e maçante. Indicava-se aceitar com resignação. Após um longo período experimentando as consequências de suas estupidezes, sentia que precisava se endireitar na vida.

Foi certeiro. No período previsto, a pessoa brotou. Nada de amor à primeira vista. Nem na segunda, nem na terceira, nem nunca. Já conhecia a pessoa. Sabia que serviria. Sabe-se lá por quê, a aproximação adequada, que poderia perfeitamente ter acontecido antes, só aconteceu agora. Naquele momento. É o destino.

A coisa toda se deu aos poucos. Morna. Monótona. Tinham poucas coisas em comum, na medida certa. Se desencontravam tediosamente. Sentiu-se bem, como se estivesse enfim encontrado terra firme depois de nadar muito tempo à deriva. 

Moraram juntos. Adotaram um gato, um cachorro e, depois de um tempo, duas lindas crianças. A vida seguia, arrastada, plana, sem fim. Seguia. Todos juntos.

Do alto, os astros olhavam. Impassíveis.

De baixo, olhamos, sempre passíveis. Escutando nossas próprias vozes fazendo eco no teto do céu.

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